sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

5 perguntas sobre livro-brinquedos



A família é, junto com a escola, a principal responsável pelo interesse das crianças pela literatura. Mas como elas têm sido apresentadas aos livros? Não há fórmulas mágicas para formar leitores, mas uma das estratégias mais eficientes é valorizar a cultura da leitura em casa. "Ver adultos lendo, ouvir histórias, escolher livros, ‘ler’ imagens, manusear os livros, até poder chegar à leitura das palavras, ajudam a fazer as crianças gostarem de ler", explica Claudia Pimentel, professora do Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e especialista em literatura e Educação Infantil.


Na primeira infância, os livros-brinquedos são aliados importantes. "Eles podem aproximar a criança dos livros e da leitura de um modo lúdico e descontraído", diz Ninfa Parreiras, mestre em Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP), especialista em literatura infantil e autora de obras literárias e de ensaios. Ao interagir com este tipo de livro, a criançada estabelece uma relação de espontaneidade com a leitura e vive uma experiência literária sem deixar de lado a brincadeira, uma das necessidades vitais da infância. 



Mas, afinal, o que são livros-brinquedos? Quais as melhores opções do mercado? Confira a seguir a resposta a essas e outras dúvidas e conheça obras recomendadas para crianças até 6 anos.



1. O que é um livro-brinquedo?







É um tipo de livro que tem recursos como pop-up (imagens em dobradura que saltam das páginas), abas, texturas e sons, que revelam surpresas ao serem manuseados. Pode ser uma aba que, ao ser levantada, mostra o lugar onde o personagem se esconde; dobraduras que se transformam no castelo da princesa; um cartão em forma de quebra-cabeça para montar etc..."Esses recursos ajudam a contar a historia. Podem dizer ou representar algo, sem a necessidade do uso de palavras ou de ilustrações", explica Ninfa.



2. Para que serve?

O livro-brinquedo estimula o contato com a cultura dos livros, aproximando a criança da leitura de uma forma lúdica. A criançada se relaciona com o mundo a sua volta por meio da brincadeira, da repetição e da imitação. Assim também é com a cultura escrita. É importante que o livro faça parte das primeiras descobertas do bebê: deixá-lo pegar um exemplar, manuseá-lo à vontade, brincar com ele e reproduzir gestos de leitura - mesmo sem saber ler formalmente. "A leitura propriamente dita é uma atividade muito complexa e sem uma relação prazerosa com o livro, que começa na infância, os obstáculos só aumentam", diz Claudia.


3. Com que idade deve ser apresentado às crianças?

Para qualquer tipo de livro, vale a mesma recomendação: quanto mais cedo, melhor. Crianças de até 12 meses de vida precisam de ajuda de um adulto para manusear os livros-brinquedos. Depois dessa idade, podem mexer neles sozinhas. Devem manuseá-los livremente, o que significa que, eventualmente, podem pegar, apertar, morder, experimentar, devolver, pegar de volta, olhar, abrir e fechar, "ler" de ponta-cabeça.

4. Como apresentar obras do tipo às crianças?

Os adultos, como leitores experientes, devem servir de modelo. É preciso mostrar como manusear os livros adequadamente, explicando que é preciso virar as páginas com cuidado para não rasgar ou estragá-lo. "As crianças devem ter livre acesso às obras, mas não podemos nos eximir da responsabilidade de ensinar a ter cuidado", explica Claudia. Mesmo assim, danos podem ocorrer. Isso faz parte do processo de aproximação da criançada com o universo da leitura. "O mais importante é implantar a cultura dos livros, disponibilizar exemplares, ler e deixar as crianças manuseá-los sempre que possível", diz Claudia.

5. Como escolher as melhores obras?

Um ponto imprescindível é a qualidade literária do material. É preciso selecionar com critério, para que os recursos disponíveis não se tornem mais importantes que a própria narrativa. "Há ‘livros’ que, quando manuseados, viram um carro e pronto. Melhor dar logo um carrinho para a criança e não se iludir que está formando leitor com objetos que são só brinquedos", diz Claudia. O excesso de recursos é outro ponto a considerar. Pop-ups muito grandes deixam o livro pesado - difícil de ser manuseado pelas mãozinhas infantis. Muitas luzes e sons tornam a obra poluída, sem espaços para a interação da criança. "As melhores são as mais simples, que possibilitam a interatividade e oferecem oportunidades de brincar e construir uma nova historia a cada vez que se manuseia o livro", explica Ninfa. Uma boa fonte de pesquisa para encontrar livros atuais de qualidade é o site (www.fnlij.org.br ) da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). É preciso, também, se certificar que o exemplar é seguro. Os pequenos tem o hábito de levar tudo à boca e alguns dos mecanismos disponíveis nessas obras, como as peças de um quebra-cabeça, podem se soltar. "As obras não podem ter elementos que tragam algum perigo, como serem engolidos ou machucarem", diz Ninfa.

Indicação de livros-brinquedo:

Guloso e simpático, o Sapo Bocarrão gosta de questionar os outros bichos da floresta sobre o que mais gostam de comer. Graças às dobraduras-surpresa, ele parece pular de página em página, comendo moscas e puxando papo até o momento em que topa com o crocodilo. Autor: Keith Faulkner, Editora Companhia das Letrinhas



Neste livro, Ninoca, uma graciosa ratinha, decide ir a piscina. O pequeno leitor é convidado a manipular abas de papelão e ajudá-la a vestir o maiô. O volume faz parte da coleção Ninoca, que apresenta a ratinha em diversas situações do cotidiano infantil, e a tradução é da escritora Heloisa Prieto.                                          Autora: Lucy Cousins, Editora Ática




"Estou canssado de ser mal (...) quero ter boms modos e (melhorar minha ortorgrafia) e aprender a ser jentil uma vez na vida". Quando o Lobo Mau pede dicas de bom comportamento a Chapeuzinho Vermelho, a menina fica eufórica. As aulas vão bem e o lobo se transforma num sujeito respeitável e bondoso - sua mudança rende até uma reportagem no Jornal da Floresta. Enciumada com a fama repentina do aluno, Chapeuzinho resolve aprontar para cima dele. Ótima releitura do famoso conto de Charles Perrault (1628 -1703),usa vários recursos, como abas e texturas, e diferentes gêneros de texto, como o bilhete e o jornal, para contar uma história divertida e original.  













A manhã está ensolarada e a gatinha Meg vai sair para passear. Vamos juntos? Com pontas arredondadas e material mais rígido, é fácil de segurar e ideal para as mãozinhas infantis. Também vem com sons que reproduzem o barulho da buzina de um carro. Autora: Lara Jones, Editora Salamandra

Hora de ir para a cama. Nada como uma boa história para adormecer, certo? Não para os protagonistas desta história, dois porquinhos super espertos. Eles gostam tanto de contos de fadas que, quando chega o momento da história, não querem mais parar de ouvi-la. 4 minilivros, que recontam narrativas clássicas, acompanham a obra. O suficiente para fazer o porquinho (ou a criança) mais sapeca cair no sono. 

Autores: Dugald Steer e Elisabeth Moseng, Editora Brinque-Book

















Com ilustrações chamativas, fitas coloridas e abas, este livro convida à exploração. Ainda tem um chocalho, que soa quando é manuseado, e um espelho, que reflete a carinha do pequeno leitor. Por ser feito de tecido lavável, é indicado para bebês, que levam tudo à boca. 

Autor: Rettone, Editora Todo Livro





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Elaborado e escrito por:

Pedagoga, Artesã,  Blogueira do Eu Amo CrochetarInspiração Livre, Profª Jac Bagis e colunista do Portal Educação e Brasil Escola. Cabeça cheia de ideias, dinâmica e divertida. 

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